Archive for dezembro, 2009

Mozart Schmitt de Queiroz*  

Ao se discorrer sobre este tema necessariamente deve-se refletir sobre o modelo de desenvolvimento que impulsionou o crescimento industrial das sociedades capitalistas no século XX.

Ao iniciar um novo milênio, todos os esforços para buscar uma equação para a redução da emissão de poluentes na atmosfera, como a dos níveis de dióxido de carbono proposto pelo Protocolo de Kyoto, esbarram na resistência dos países industrializados e no voto contrário a ratificação do governo americano. Bush não somente mantém a posição já conhecida dos EUA, como também propõe a flexibilização das leis ambientais para incentivar o aumento da geração de energia elétrica. Tais posturas fazem parte de um cortejo movido e cinismo e manutenção de um ciclo de dominação econômica, que se perpetua voltado para os interesses dos grandes grupos industriais. Read the rest of this entry

PORSCHE

PORT ARTHUR OIL SPILL

FERRARI

A Dinamarca derruba a idéia de que as usinas eólicas não passam de um sonho de ecologistas

REVISTA EXAME -13/02/08

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_270607.shtml?func=2

Ao longo da estrada estreita e sinuosa que leva à zona industrial de Copenhague, capital da Dinamarca, a paisagem muda com freqüência. No início da viagem, chama a atenção a sucessão de campos de futebol — a região concentra os centros de treinamento de vários times da primeira divisão do país.

Mais adiante, surgem no horizonte vários galpões, com um aspecto de abandono que reflete o estágio atual de atividade das metalúrgicas, das fábricas de borracha e de outros negócios do gênero instalados por ali.

Eles entraram em franca decadência desde que o governo resolveu mudar sua política de incentivos fiscais nos anos 70, priorizando o surgimento de atividades não poluentes e capazes de oferecer alternativas viáveis ao “fim” da era do petróleo.

O resultado dessa guinada pode ser conferido no final do caminho, quando se ultrapassa o portão que dá acesso aos campos eólicos de Lynetten e Middelgrunden. Juntos, eles formam um dos maiores complexos desse gênero no mundo.

Um visitante chegou a comparar o impacto visual com o desembarque num planeta alienígena, ocupado por fileiras de robôs gigantes em forma de hastes. As dezenas de turbinas enfileiradas causam mesmo uma forte impressão.

Parte delas avança mar adentro, onde barquinhos de pescadores, para seguir em frente, são obrigados a manobrar entre os pilares, que chegam a 40 metros de altura. Embora estejam longe de representar a oitava maravilha do mundo, estão se tornando uma espécie de novo cartão-postal da Dinamarca.

[img1]Ao incentivar o desenvolvimento da tecnologia que utiliza a força dos ventos para gerar energia, a Dinamarca criou a maior indústria no mundo desse gênero. Atualmente, o país reúne cerca de 180 empresas dedicadas ao negócio de energia eólica.

Elas empregam mais de 20.000 pessoas e faturaram no ano passado 4,4 bilhões de dólares (veja quadro). O setor também se destaca por sua capacidade de inovação, o que lhe conferiu o apelido de “Vale do Silício” da energia limpa.

Os dinamarqueses exportam mais de 90% das turbinas fabricadas e dominam 40% do mercado global do produto. “Começamos a pensar no assunto antes de qualquer outro país, fizemos um investimento tecnológico sem paralelo e reunimos um grande número de companhias pensando em desenvolvimento e conquista de mercados, com a ajuda das universidades locais”, afirmou a EXAME o engenheiro Peter Hauge Madsen, consultor em energia eólica que está entre os mais respeitados da Dinamarca.

O país é um lugar onde uma empresa como a LM — grande fabricante de turbinas — decide investir quase 5 milhões de dólares para desenvolver um túnel de vento, semelhante aos utilizados pelas escudeiras da Fórmula 1, a fim de melhorar a performance aerodinâmica das pás de vento das turbinas eólicas.

Normalmente, quando transplantados da tela do computador para a vida real, os projetos conseguem uma eficiência de 90%, em média, em relação à intenção original dos engenheiros.

Com o túnel de vento, será possível fazer correções antes da execução da obra, elevando sua taxa de acerto. O Vale do Silício escandinavo foi também o pioneirismo na construção de usinas eólicas em alto-mar, no início da década de 90.

A obra mais importante dos dinamarqueses, porém, tem sido demonstrar que a possibilidade de sustentar grandes cidades e complexos industriais com a energia dos ventos não é apenas um delírio de ecologistas.

Atualmente, 20% da energia utilizada no país é obtida dessa forma, a maior proporção encontrada no mundo. A geração custa 5,5 centavos de euro por quilowatt/hora, quase a metade do custo conseguido por países como Espanha e Alemanha, grandes investidores nesse tipo de energia.

É algo significativo, mesmo considerando os subsídios concedidos pelo governo dinamarquês às empresas da área. (Calcula-se que os gastos com esses subsídios no país superem a casa dos 200 milhões de dólares por ano.)

Algumas das maiores empresas de energia eólica dinamarquesas nasceram com uma vocação diferente e mudaram de ramo de negócios motivadas pelos incentivos do governo. A LM, por exemplo, originalmente atuava como fabricante de móveis.

[img2]Até o final da década de 70, a Vestas, outra grande empresa do setor, produzia máquinas agrícolas. Hoje é a maior do mundo na fabricação de turbinas eólicas, com participação de 28% no mercado global.

Possui 14.500 funcionários e está presente em 60 países. No ano passado, faturou 5,2 bilhões de dólares. “Não há segredo por trás de nosso desempenho”, afirmou a EXAME Peter Wenzel Kruse, vice-presidente da Vestas. “Trabalhamos duro, contamos com o apoio de políticos visionários e com o suporte de pesquisa de boas universidades.”

Parte desse mutirão é organizada pelo Consórcio Dinamarquês para a Pesquisa em Energia Eólica, criado em 2002. Sua função original — e ainda hoje a mais importante — é garantir a integração entre as companhias e a capacidade criativa de centros de pesquisa, como a Universidade Técnica da Dinamarca e o Riso National Laboratory.

No consórcio, empresas e instituições de ensino transformam a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e materiais em uma rede de informações compartilhada entre os parceiros. “Queremos ser os ‘mocinhos’ do negócio, o exemplo em termos de aproveitamento de fontes de energia limpa. Logo, é preciso que sejamos inovadores”, afirmou a EXAME Asger Kej, diretor do Dansk Hydraulisk Institut (DHI), outro dos institutos de pesquisa de ponta do país.

Nunca a liderança no mercado de energia eólica trouxe tantos dividendos para o país quanto agora. As maiores companhias dinamarquesas do setor viraram objeto de desejo de grandes investidores.

O fundo de private equity Doughty Hanson, por exemplo, pagou 44,6 milhões de dólares pelo controle da LM em 2001. Algo semelhante ocorreu com a fabricante de turbinas Bonus Energy, incorporada pela Siemens em 2004, ao custo de 200 milhões de dólares.

Apesar da absorção pelo capital alemão e da mudança de nome da companhia, que hoje se chama Siemens Wind Power, a sede da empresa segue instalada em Copenhague.

A vanguarda no mercado de energia limpa também coloca a Dinamarca numa posição privilegiada num momento em que a União Européia acaba de baixar um severo plano de diminuição da emissão de gases poluentes na atmosfera.

Segundo documento divulgado no mês passado, o objetivo é elevar em 20% o uso de energia de fontes renováveis até 2020. Cada um dos 27 países-membros recebeu uma espécie de lição de casa, sendo obrigado a contribuir com uma cota para chegar à média desejada.

A Dinamarca precisa aumentar para 30% a participação de fontes renováveis em sua matriz energética. A notícia foi recebida com tranqüilidade no país. Segundo as previsões, essa meta deve ser atingida cinco anos antes, comprovando a fama de eficiência do “Vale do Silício” escandinavo.

EFICIÊNCIA ECOLÓGICA

Os principais números da indústria dinamarquesa de energia eólica

NÚMERO DE EMPRESAS 180

QUANTIDADE DE EMPREGADOS 20.000

FATURAMENTO ANUAL DO SETOR 4,4 bilhões de dólares

TOTAL DE TURBINAS INSTALADAS NO PAÍS 5.500

PARTICIPAÇÃO DA ENERGIA EÓLICA NO CONSUMO TOTAL 20%*
*Esse número deve subir para 35% até 2015

Ao longo da estrada estreita e sinuosa que leva à zona industrial de Copenhague, capital da Dinamarca, a paisagem muda com freqüência. No início da viagem, chama a atenção a sucessão de campos de futebol — a região concentra os centros de treinamento de vários times da primeira divisão do país.

Mais adiante, surgem no horizonte vários galpões, com um aspecto de abandono que reflete o estágio atual de atividade das metalúrgicas, das fábricas de borracha e de outros negócios do gênero instalados por ali.

Eles entraram em franca decadência desde que o governo resolveu mudar sua política de incentivos fiscais nos anos 70, priorizando o surgimento de atividades não poluentes e capazes de oferecer alternativas viáveis ao “fim” da era do petróleo.

O resultado dessa guinada pode ser conferido no final do caminho, quando se ultrapassa o portão que dá acesso aos campos eólicos de Lynetten e Middelgrunden. Juntos, eles formam um dos maiores complexos desse gênero no mundo.

Um visitante chegou a comparar o impacto visual com o desembarque num planeta alienígena, ocupado por fileiras de robôs gigantes em forma de hastes. As dezenas de turbinas enfileiradas causam mesmo uma forte impressão.

Parte delas avança mar adentro, onde barquinhos de pescadores, para seguir em frente, são obrigados a manobrar entre os pilares, que chegam a 40 metros de altura. Embora estejam longe de representar a oitava maravilha do mundo, estão se tornando uma espécie de novo cartão-postal da Dinamarca.

Ao incentivar o desenvolvimento da tecnologia que utiliza a força dos ventos para gerar energia, a Dinamarca criou a maior indústria no mundo desse gênero. Atualmente, o país reúne cerca de 180 empresas dedicadas ao negócio de energia eólica.

Elas empregam mais de 20.000 pessoas e faturaram no ano passado 4,4 bilhões de dólares (veja quadro). O setor também se destaca por sua capacidade de inovação, o que lhe conferiu o apelido de “Vale do Silício” da energia limpa.

Os dinamarqueses exportam mais de 90% das turbinas fabricadas e dominam 40% do mercado global do produto. “Começamos a pensar no assunto antes de qualquer outro país, fizemos um investimento tecnológico sem paralelo e reunimos um grande número de companhias pensando em desenvolvimento e conquista de mercados, com a ajuda das universidades locais”, afirmou a EXAME o engenheiro Peter Hauge Madsen, consultor em energia eólica que está entre os mais respeitados da Dinamarca.

O país é um lugar onde uma empresa como a LM — grande fabricante de turbinas — decide investir quase 5 milhões de dólares para desenvolver um túnel de vento, semelhante aos utilizados pelas escudeiras da Fórmula 1, a fim de melhorar a performance aerodinâmica das pás de vento das turbinas eólicas.

Normalmente, quando transplantados da tela do computador para a vida real, os projetos conseguem uma eficiência de 90%, em média, em relação à intenção original dos engenheiros.

Com o túnel de vento, será possível fazer correções antes da execução da obra, elevando sua taxa de acerto. O Vale do Silício escandinavo foi também o pioneirismo na construção de usinas eólicas em alto-mar, no início da década de 90.

A obra mais importante dos dinamarqueses, porém, tem sido demonstrar que a possibilidade de sustentar grandes cidades e complexos industriais com a energia dos ventos não é apenas um delírio de ecologistas.

Atualmente, 20% da energia utilizada no país é obtida dessa forma, a maior proporção encontrada no mundo. A geração custa 5,5 centavos de euro por quilowatt/hora, quase a metade do custo conseguido por países como Espanha e Alemanha, grandes investidores nesse tipo de energia.

É algo significativo, mesmo considerando os subsídios concedidos pelo governo dinamarquês às empresas da área. (Calcula-se que os gastos com esses subsídios no país superem a casa dos 200 milhões de dólares por ano.)

Algumas das maiores empresas de energia eólica dinamarquesas nasceram com uma vocação diferente e mudaram de ramo de negócios motivadas pelos incentivos do governo. A LM, por exemplo, originalmente atuava como fabricante de móveis.

Até o final da década de 70, a Vestas, outra grande empresa do setor, produzia máquinas agrícolas. Hoje é a maior do mundo na fabricação de turbinas eólicas, com participação de 28% no mercado global.

Possui 14.500 funcionários e está presente em 60 países. No ano passado, faturou 5,2 bilhões de dólares. “Não há segredo por trás de nosso desempenho”, afirmou a EXAME Peter Wenzel Kruse, vice-presidente da Vestas. “Trabalhamos duro, contamos com o apoio de políticos visionários e com o suporte de pesquisa de boas universidades.”

Parte desse mutirão é organizada pelo Consórcio Dinamarquês para a Pesquisa em Energia Eólica, criado em 2002. Sua função original — e ainda hoje a mais importante — é garantir a integração entre as companhias e a capacidade criativa de centros de pesquisa, como a Universidade Técnica da Dinamarca e o Riso National Laboratory.

No consórcio, empresas e instituições de ensino transformam a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e materiais em uma rede de informações compartilhada entre os parceiros. “Queremos ser os ‘mocinhos’ do negócio, o exemplo em termos de aproveitamento de fontes de energia limpa. Logo, é preciso que sejamos inovadores”, afirmou a EXAME Asger Kej, diretor do Dansk Hydraulisk Institut (DHI), outro dos institutos de pesquisa de ponta do país.

Nunca a liderança no mercado de energia eólica trouxe tantos dividendos para o país quanto agora. As maiores companhias dinamarquesas do setor viraram objeto de desejo de grandes investidores.

O fundo de private equity Doughty Hanson, por exemplo, pagou 44,6 milhões de dólares pelo controle da LM em 2001. Algo semelhante ocorreu com a fabricante de turbinas Bonus Energy, incorporada pela Siemens em 2004, ao custo de 200 milhões de dólares.

Apesar da absorção pelo capital alemão e da mudança de nome da companhia, que hoje se chama Siemens Wind Power, a sede da empresa segue instalada em Copenhague.

A vanguarda no mercado de energia limpa também coloca a Dinamarca numa posição privilegiada num momento em que a União Européia acaba de baixar um severo plano de diminuição da emissão de gases poluentes na atmosfera.

Segundo documento divulgado no mês passado, o objetivo é elevar em 20% o uso de energia de fontes renováveis até 2020. Cada um dos 27 países-membros recebeu uma espécie de lição de casa, sendo obrigado a contribuir com uma cota para chegar à média desejada.

A Dinamarca precisa aumentar para 30% a participação de fontes renováveis em sua matriz energética. A notícia foi recebida com tranqüilidade no país. Segundo as previsões, essa meta deve ser atingida cinco anos antes, comprovando a fama de eficiência do “Vale do Silício” escandinavo.

EFICIÊNCIA ECOLÓGICA

Os principais números da indústria dinamarquesa de energia eólica

NÚMERO DE EMPRESAS 180

QUANTIDADE DE EMPREGADOS 20.000

FATURAMENTO ANUAL DO SETOR 4,4 bilhões de dólares

TOTAL DE TURBINAS INSTALADAS NO PAÍS 5.500

PARTICIPAÇÃO DA ENERGIA EÓLICA NO CONSUMO TOTAL 20%*
*Esse número deve subir para 35% até 2015

PETROLEUM ENGINEERS

Portal EXAME

Por Denise Luna

09 de Setembro de 2009 | 13:20

RIO DE JANEIRO (Reuters) – As refinarias de diesel premium da Petrobras, originalmente projetadas para processar petróleo pesado, terão seus projetos adaptados também para receber o volumoso óleo do pré-sal já a partir de 2015, informou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

A mudança, segundo ele, poderá reduzir o custo de construção, inicialmente previsto em 20 bilhões de dólares para as unidades do Maranhão (600 mil barris diários) e Ceará (300 mil barris diários), já que os processos do óleo leve são mais simples. Read the rest of this entry

UMA LUTA CARA PELO PLANETA

Angela Pimenta, de EXAME

20/05/2009 | 15:03

Autoridade mundial em meio ambiente, economista inglês propõe um plano de 1 trilhão de dólares por ano para cortar emissões de CO2 e investir em energia limpa – tudo para conter os riscos do aquecimento global

EM TEMPOS DE CRISE GLOBAL, uma fatura anual de 1 trilhão de dólares, equivalente a 75% do PIB brasileiro, não é palatável nem para os governos nem para o setor privado. Críticos como o economista William Nordhaus, da Universidade Yale, dizem que Stern exagera quanto aos riscos de uma tragédia climática no médio prazo e que a prioridade atual deve ser o combate à crise econômica. De sua parte, Stern, que tem o apoio da maioria da comunidade científica mundial, usa o clássico princípio da precaução. Em face de riscos crescentes, é melhor agir com cautela e proatividade. “Há quem diga que o combate à mudança climática deva ser adiado. Mas esse argumento vem de quem não quer agir de modo algum e usa a crise como desculpa”, diz ele. Para reforçar a necessidade desse investimento premente, ele aponta, por exemplo, para o aumento dos furacões e das chuvas torrenciais nas grandes cidades – que já causa um impacto considerável na indústria de seguros. Em 1970, os prêmios pagos por danos meteorológicos eram de 5 bilhões de dólares. Hoje, chegam a 34 bilhões de dólares em termos reais.

Otimista em relação à próxima conferência das Nações Unidas sobre o clima, marcada para Copenhague no próximo mês de dezembro, Stern avalia que o evento será “a mais importante reunião multilateral desde o fim da Segunda Guerra Mundial”. Simpático às diretrizes pró-meio ambiente estabelecidas pelo presidente americano Barack Obama, ele acredita num entendimento entre a China e os Estados Unidos nesse campo. “Um acordo entre os dois países será crítico para a redução necessária das emissões em escala mundial”, afirma. Apesar de se referir apenas rapidamente ao Brasil, Stern enfatiza a percepção já vigente entre os países desenvolvidos de que o desmatamento da Amazônia é o grande enrosco da política ambiental tupiniquim. Ele acredita que a pressão internacional para que o Brasil cumpra as metas de redução do desmatamento definidas pelo governo brasileiro em 2008 tenderá a crescer. “A China ultrapassou os Estados Unidos como o maior produtor mundial de gases estufa. A Indonésia e o Brasil são hoje o terceiro e o quarto maiores emissores, principalmente em razão do desmatamento e das queimadas”, afirma o pesquisador.

Ciente da gravidade que a poluição representa para seu futuro, a China tem mostrado disposição em investir na energia limpa. Stern menciona que a cidade de Dongtan, uma ilha na vizinhança de Xangai, trabalha arduamente para se tornar a comunidade mais ecoeficiente do planeta até 2020, produzindo energia solar e eólica e fazendo investimentos pesados em transporte público e em ciclovias. Segundo dados do jornal inglês Financial Times, a China deve investir mais de 220 bilhões de dólares – 40% dos recursos de seu pacote de estímulo econômico – em tecnologia ambiental nos próximos anos. Quanto aos países ricos, até agora os grandes vilões do aquecimento global, Stern propõe que eles paguem a maior parte da conta, seja por meio de ajuda financeira ou cooperação tecnológica com os mais pobres. A fim de dar o exemplo, Stern defende ainda que os Estados Unidos e a União Europeia cortem as emissões mais rapidamente, limitando-as em 80% até 2050. Do ponto de vista da teoria econômica, Stern faz uma análise singular da mudança climática. Para ele, trata-se do maior fiasco da história do sistema capitalista. “O pior fracasso do mercado se deu na precificação do petróleo”, diz. “Por não refletir os custos econômicos, sociais e ambientais do aquecimento global, o petróleo se mantém em preços artificialmente baixos.” A expectativa é que em dezembro, durante a conferência do clima em Copenhague, o mundo saiba o real apetite de suas lideranças políticas para corrigir esse erro.


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